23 de fev de 2009

Perseguidos nas salas de aula, celulares também podem ensinar

O DIA ON LINE em 20/02/2009

Estados Unidos - O uso dos celulares em sala de aula é uma batalha nos colégios de meio mundo, mas os alunos podem ter em breve uma desculpa para levar o telefone à escola: diversos estudos apontam que eles são uma excelente ferramenta educativa.

Um relatório realizado em quatro colégios da Carolina do Norte e publicado esta semana nos Estados Unidos indica que os alunos que integraram celulares à atividade escolar obtiveram resultados melhores do que seus companheiros nas provas finais de matemática.

Os pesquisadores escolheram quatro escolas em bairros de baixa renda onde estudantes de 14 e 15 anos -correspondentes ao ensino médio- receberam celulares com o sistema operacional Windows para usá-los nas tarefas de álgebra.

Os alunos usaram os telefones de diferentes formas, gravando, por exemplo, como resolviam problemas de matemática e depois compartilhando os vídeos com seus companheiros em uma rede social.

No final do curso, os resultados dos estudantes que tinham recebido os telefones foram 25% melhores do que os do resto da classe.

Em outro exemplo, um grupo de professores da Universidade de Michigan desenvolveu uma série de ferramentas de software que transformam o telefone celular em algo parecido com um pequeno computador para uso em sala.

Um grupo de 50 estudantes do quinto ano (por volta dos dez anos de idade) de diversos colégios do Texas recebeu estes telefones com os quais não podiam ligar nem escrever mensagens, mas dotados de câmaras, calendários, calculadoras e inúmeros softwares educativos.

Ainda não há resultados sobre seu impacto nos resultados escolares, mas, segundo os responsáveis pelo estudo, os professores que os estão testando se dizem contentes em poder integrar em suas aulas os celulares que os estudantes levam de qualquer maneira ao colégio.

"O futuro está em artigos eletrônicos móveis conectados uns aos outros", disse à imprensa Elliot Soloway, um dos responsáveis pelo projeto, acrescentando que "os celulares ainda serão os novos papéis e lápis" das escolas.

Soloway destacou que, dotados do software necessário, eles podem fazer o mesmo que um laptop, com um custo muito menor, o que é importante para as frequentemente mal financiadas escolas públicas dos EUA.

O aumento do déficit e a queda na arrecadação dos impostos sobre imóveis, que financia a educação em muitas comunidades, estão levando os colégios públicos de alguns estados a sofrer dificuldades e obrigando-os a cortar serviços como bibliotecas e merenda escolar gratuita.

Pelo menos 20 estados já reduziram seus orçamentos para as séries iniciais -que, no Brasil, formariam o ensino fundamental- e na endividada Califórnia, o governador Arnold Schwarzenegger propôs reduzir em cinco dias o calendário escolar para economizar assim US$ 1,1 bilhão.

Para a indústria da telefonia celular, sua entrada oficial nas salas de aula pode significar a venda de 10 a 15 milhões de novos aparelhos nos próximos anos, segundo algumas estimativas, isso sem contar a despesa com software educativo.

Por sua parte, as associações de professores se mostram céticas e apontam que é necessário esperar mais resultados e levar em conta que os fabricantes financiam alguns desses estudos atualmente em andamento.

Este é o caso da pesquisa na Carolina do Norte, patrocinado pelo fabricante de chips Qualcomm.

"Antes que os colégios se apressem em comprar celulares para os alunos, é preciso mais investigação", declarou à Agência Efe Janet Bass, porta-voz da Federação Americana de Professores, afirmando que "o orçamento é pequeno, portanto precisamos ser inteligentes na despesa".

Bass diz que não se opõe ao uso educativo dos móveis, mas que "é preciso ser cuidadoso" e lembra que os telefones "também podem ser uma distração para os estudantes".

As informações são da EFE

Um comentário:

  1. Adorei o texto!

    E ele vem muito de encontro a uma experiência que eu próprio já fiz em 2008. Na época, complementei o ensino de História do Brasil, fase imperial, solicitando aos meus alunos do ensino médio que produzissem vídeos e fotos através do celular sobre os prédios remanescentes desse período no bairro de Santa Cruz/RJ (antiga Fazenda de Santa CRuz). O resultado surpreendeu e mostrou uma nova forma dos alunos vivenciarem mais a História. No final, essa produção foi exibida para toda a escola através de cartazes e apresentações, mostrando um ângulo diferente de aprendizagem que agradou a todos, alunos e professores.
    Acho que valeu a pena e todos os professores poderiam fazer. Por que não?

    Um grande abraço,
    Prof. Adinalzir Pereira

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